Evidência: fato em si. Argumentação: a compreensão, a interpretação do fato.
Evidência e argumento andam juntos. E, segundo o que vimos e ouvimos dos jurados, evidências e argumentos podem estar associados a preconceitos, podendo interferir no julgamento.
Doze homens e uma sentença. Filme muito bom. Com ele aprendemos que antes de dar um veredicto precisamos dispor de dados, analisá-los com todo o cuidado, sob todos os ângulos, levantar hipóteses, argumentar . Outro fator importante é conseguir olhar a situação sem o envolvimento emocional, pessoal. Algumas falas de jurados: "se quer saber, arrebentaria estes garotos marrentos antes que começassem qualquer confusão"; "Não acredito numa só palavra que dizem. Você sabe disso. \"Eles\" nascem contando mentiras".
A sorte do jovem, réu no filme, foi poder contar com o Sr. Davis como um dos jurados, pois se fosse pelos demais teria sido condenado nos primeiros minutos de "Conselho". Um, inclusive, sugeriu que chegassem rápido ao veredicto pois estava com ingressos para assistir a um jogo, ainda naquela noite. Na primeira votação deu onze votos culpado e um inocente. As evidências apresentadas uma a uma foram sendo refutadas. Assim, a cada nova votação, até a derradeira, pelo menos mais um voto a favor da absolvição. O fato da vizinha ter visto o assassinato poderia ter servido de evidência para considerar o menino culpado. Foi refutada, devido à marca dos óculos (evidência) que a mesma possuía. Durante o julgamento estava sem os óculos, deixando à vista as marcas. Argumento de um dos jurados: "Ninguém consegue ser tão preciso. Assim, em tão curto tempo não poderia ter levantado, colocado os óculos, ter visto com a nitidez necessária, ainda através dos dois últimos vagões, o esfaqueamento do homem". Outra evidência: uso de determinada faca no assassinato. Essa evidência foi refutada, pois o Sr, Davis encontrou faca igual sendo vendida nas imediações, assim outra pessoa poderia ter cometido o assassinato (argumento). Outra evidência apresentada: o garoto não se lembrava do nome dos filmes que teria olhado no cinema. Argumento: considerando que havia brigado com o pai, já teria motivo para não lembrar, pois poderia ter, enquanto olhava os filmes, só pensado na briga.