Currículo, narrativa e o futuro social
Perguntas de apoio para exploração do texto de GOODSON, Ivor.
GOODSON, Ivor. Currículo, narrativa e o futuro social. Revista Brasileira de Educação. n° 35, 2007. p. 241 - 252.
1. O autor faz referencia a três tipos de aprendizagem. Faça um breve comentário a respeito de cada um desses tipos.
- primária: primeiro nível de aprendizagem de conteúdos do currículo formal;
- secundária: deutero, que é o processo subterrâneo do aprender a aprender. Não depende tanto do professor e do aluno, mas mais do ambiente em que vivem a sua vida.
- terciária: aprender a quebrar a regularidade, a reorganizar as experiências fragmentadas, a romper com as prescrições predeterminadas do currículo, a apropriar-se e narrar o seu próprio currículo. Aprender a ser um ser social em um determinado ambiente, aprender sobre si mesmo como pessoa e definir um projeto identitário.
2. Em que crença se baseia a ideologia do currículo como prescrição?
Qual a ideologia que comanda o currículo como prescrição?
A ideologia do currículo como prescrição se baseia na “crença de que podemos imparcialmente definir os principais ingredientes do desenvolvimento do estudo, e então ensinar os vários segmentos e seqüências de uma forma sistemática”. A ideologia que comanda o currículo como prescrição é a dominante (quanto mais poderoso e rico mais terá influência na definição do currículo).
3. O currículo como prescrição sustenta algumas místicas que carregam alguns “custos de cumplicidade”. Quais são estes custos?
As místicas que o currículo como prescrição sustenta é que a especialização e o controle são inerentes ao governo central, às burocracias educacionais e à comunidade universitária. Há a aceitação de que existem as relações de poder e de que pode haver uma convivência pacífica desde que ninguém as revele.
Os custos de cumplicidade envolvem a aceitação de modelos estabelecidos de relações de poder. O pouco do poder cotidiano e da autonomia das escolas e dos professores dependem da aceitação dessa “realidade”. Talvez por isso os professores fiquem em silêncio e também sejam deixados de fora do discurso da escolarização. O financiamento dos estudos dos currículos foi direcionado para os que se beneficiam com a mística, como as universidades.
4. Explique a relação estabelecida pelo autor entre os conceitos de: currículo, prescrição, poder e exclusão.
O currículo foi basicamente inventado como um conceito para dirigir e controlar o credenciamento dos professores e sua potencial liberdade nas salas de aula. É um mecanismo de reprodução das relações de poder existentes na sociedade. Os filhos de pais ricos e poderosos beneficiam-se da inclusão pelo currículo e os das classes menos privilegiadas sofrem a exclusão pelo currículo.
5. Goodson discute a relação entre o conhecimento escolar que é aceito e o que é rejeitado. Para isto toma em conta a invenção das disciplinas de ciências e estudos ambientais. Sintetize seu entendimento quanto às idéias-chave apresentadas pelo autor nesses dois casos.
Para que a inclusão de determinada disciplina ocorra é necessário que atenda aos interesses vigentes, tornando-se, desta forma, “tradicional”, ou seja, aceita. A partir do momento que a disciplina serve para os menos privilegiados, está chegada a hora de retirá-la ou reorganizá-la. Foi o que ocorreu com a de ciências “ciências das coisas comuns”, uma tentativa de ampliar a inclusão social relacionando o currículo de ciências com as experiências do mundo natural de alunos em suas casas, em seu cotidiano e no trabalho. A proposta foi desenvolvida em elementary schools. Como obteve sucesso em sala de aula, melhorando a reflexão dos alunos mais pobres, mais do que as das ricas, ocorreu mudança no seu ensino. Evidência de que não interessa a inclusão social.
6. O autor, baseando-se em Bauman, Z. (2001) afirma que na nova era da organização flexível do trabalho, o currículo produtivo é totalmente inadequado, requerendo uma substituição por novas formas de organização da aprendizagem. Assim, apresenta o conceito de aprendizagem narrativa relacionando-o ao conceito de capital cultural e simbólico de Bourdieu.
Que implicações para o currículo e para a formação de professores, você percebe em relação ao conceito de aprendizagem narrativa?
Aprendizagem narrativa é um tipo de aprendizagem que se desenvolve na elaboração e na manutenção continuada de uma narrativa de vida ou de identidade. O trajeto, a busca e o sonho são os motivos centrais para a contínua elaboração de uma missão de vida. A aprendizagem precisa ser vista como uma resposta para situações reais, onde o aluno se sinta atraído, engajado.
É necessário que todos os envolvidos com currículo, tanto o especialista como o professor da sala de aula, avaliem, proponham o que de fato é importante ser trabalhado com os alunos, decidam a didática, o material a ser utilizado, com a atenção voltada ao o que está acontecendo, às necessidades, aos sonhos do aluno, para que se concretize o discurso do PPP (Projeto Político Pedagógico), da PP (Proposta Pedagógica). “Passar da aprendizagem prescritiva autoritária e primária para uma aprendizagem narrativa e terciária poderia transformar nossas instituições educacionais e fazê-las cumprir sua antiga promessa de ajudar a mudar o futuro social de seus alunos. ... Fortalecer as faculdades críticas e autocríticas, desenvolvendo as capacidades dos indivíduos para definir e narrar seus propósitos de vida e missões em um ambiente de rápidas mudanças”. (GOODSON, Ivor)

